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O
maior shopping do Norte. Dedicado à era industrial.
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Quando pela primeira vez viu uma
imagem virtual do futuro Norteshopping, Belmiro de Azevedo ficou estarrecido. O
projecto inicial previa, junto à entrada principal, um
aproveitamento parcelar de algumas estruturas de uma velha máquina
a vapor da antiga fábrica de fiação e tecidos de Paleão, em
Soure, mas desperdiçava a oportunidade de construir uma forte
imagem visual de um elemento simbólico do período da industrialização
em Portugal.
Talvez motivado pela nostalgia dos seus primeiros tempos de
assalariado da Empresa Fabril do Norte, em cujos terrenos está
construído o centro comercial inaugurado a 20 de Outubro de 1998, o
presidente da Sonae toma uma decisão que transforma por completo
toda a filosofia e arquitectura interior do novo espaço: a máquina
teria de ser recuperada, posta a funcionar e instalada bem no coração
do Norteshopping.
Naquele momento estava dado um passo essencial para a concretização
da ideia do centro temático, já explorado noutros países e há
algum tempo entre os planos dos quadros da Sonae, mas de difícil
concretização prática. A filosofia de base passa pela constatação
de que já não basta oferecer um espaço abrigado e confortável.
Quem compra e passa horas nestes imensos paraísos do consumo, também
se cansa do absoluto deserto de ideias que em geral caracteriza o
seu circuito interno, ou a arquitectura que embrulha estas imensas
feiras de fim de século.
Evocar a arquitectura industrial
Numa primeira aproximação ao exterior do «shopping»
são desde logo evidentes alguns traços susceptíveis de marcarem a
diferença em relação à arquitectura habitual destes espaços. As
cores utilizadas, as superfícies de ferro e vidro e duas grandes
estruturas cilíndricas a fazerem lembrar as grandes chaminés das
velhas fábricas suscitam um factor de estranheza que desde logo
retira o edifício da neutralidade habitual dos centros comerciais.
Lá dentro as diferenças são mais óbvias. E nem será apenas por
o visitante se confrontar com ruas com nomes como Porta das Sedas,
Praças da Indústria, da Tecelagem, da Fiação, ou do Vapor, ruas
do Linho, dos Têxteis ou da Cordoaria. Se é certo que há uma Rua
dos Empresários, também há uma Rua dos Operários, sem os quais,
como diz a Sonae num texto promocional, «não seria possível
construir o mundo contemporâneo».
Os
antigos operários da Efanor - a fábrica fechou em 1994 - poderão,
de facto, ter ali um verdadeiro cofre de recordações, com a
particularidade de poderem partilhar este seu mundo e modo de
trabalho com 18 milhões de pessoas por ano.
Nos dias tranquilos, os eventuais clientes do centro comercial terão
todo o tempo para ver a máquina a vapor a funcionar, complementada
por uma caldeira instalada num bar ao lado. Na cave, na zona dos
parques de estacionamento, estará uma bomba a vapor para alimentação
de água. Numa das paredes destaca-se um aparelho de medição da
pressão do vapor.
A exigência dos consumidores
A partir da velha máquina a vapor de Paleão - julga-se que única
na Europa no género - a Sonae decide avançar para um centro
comercial construído em torno de uma ideia central: evocar a
arquitectura industrial. O delicado trabalho de recuperação da máquina,
patrocinado pela Fundação Belmiro de Azevedo, deu origem a um
livro da autoria de Jorge Custódio, historiador e especialista em
arqueologia industrial, onde se evoca não só a história daquela máquina
como a introdução e divulgação da máquina a vapor em Portugal.
A
Praça da Restauração retoma uma ideia já explorada no Via
Catarina - com a reprodução das fachadas das velhas casas do
centro histórico do Porto - para construir um conjunto de fachadas
em que claramente se remete para uma certa arquitectura da revolução
industrial, designadamente a dos bairros operários.
Os mais cépticos dirão que se trata apenas de um celofane
diferente para um conteúdo semelhante ao de tantos outros centros
comerciais. Artur Portela, presidente da Sonae Imobiliária, afirma
que o Norteshopping dá resposta à constatação de que «os
consumidores são cada vez mais exigentes e os padrões de qualidade
subiram muito».
Ana Maria Oliveira, responsável pelo projecto, sublinha que está
ali assegurado o máximo de variedade que a dimensão propicia.
Entre outras lojas, estarão lá a primeira FNAC do Norte, a
primeira loja em Portugal da perfumaria francesa Séphora e da alemã
Douglas, além de todas as grandes marcas já tradicionais nestas áreas.
Pela sua dimensão e variedade, o centro acaba por assegurar, na
opinião de Artur Portela, «a maior escolha possível da zona
Norte e da Galiza».
Mais cultural e ecológico do País
Comércio,
cultura e ambiente são três elementos que convivem em harmonia no centro comercial da Sonae de Belmiro de
Azevedo. O espaço, com uma área comercial de 53 mil metros
quadrados, alberga 250 lojas e um espaço de restaurantes com
capacidade para 1 500 lugares sentados, representando um investimento de
125 milhões de Euros e acolhendo cerca de 18 milhões de visitantes
anualmente.
Este número
não é composto exclusivamente por consumistas. Os curiosos pela
arqueologia industrial, tema que serve de base a toda a decoração
do NorteShopping, pode apreciar, entre outros elementos, uma máquina
a vapor, única na Europa, que fazia parte do espólio da extinta Fábrica
de Tecidos do Soure. E não ficam por aqui os atractivos não-comerciais
deste espaço. O NorteShopping acolhe um Fórum Cultural projectado
pelo arquitecto Eduardo Souto Moura. Os responsáveis da Sonae Imobiliário
criaram este Fórum, um espaço cilíndrico revestido a tijolo de
fabrico manual, zona de referência cultural na região do Grande Porto.
Menos
visíveis para o comum visitante serão as preocupações ambientais do
projecto. «O NorteShopping foi o primeiro centro comercial verde»,
refere Elsa Monteiro, directora da Viacentro, empresa do universo Sonae
Imobiliário. Poupar o ambiente foi uma das principais preocupações da
arquitectura do edifício, da sua instalação eléctrica e dos
restantes sistemas energéticos.
«Existem,
também, espaços alcatifados que permitem reduzir o ruído, e um
tratamento paisagístico do Centro com espaços verdes que melhoram a
qualidade do ar e tornam mais confortável a visita dos clientes»,
acrescenta. «Queremos que as preocupações ecológicas sejam a nossa
bandeira de diferenciação», conclui.
in "Expresso";"VISÃO
nº 291"
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