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Apetrechamento
técnico: alguns aspectos
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Tanto a introdução das turbinas hidráulicas, como das maquinas a
vapor e, a partir da década de 40, da energia eléctrica explicam o
sentido das unidades fabris pós revolução industrial,
integrando-se no contexto da mecanização ou maquinofactura da indústria.
Ora que maquinas eram postas em movimento por essas energias? Acima,
referiram-se de forma genérica os diversos tipos de máquinas
utilizadas pela Fabrica de Paleão no seu processo fabril. Tanto a
fiação, como a tecelagem oitocentista tinham atingido um alto grau
de mecanização e a história de uma unidade têxtil algodoeira e,
no fundo, a história das suas produções e produtos, nos quais
interferem as maquinas operadoras. Estas obedecem a ciclos e gerações,
renovando-se no contexto da inovação tecnológica, de modo a
responder a concorrência do sector tanto a nível nacional como
internacional. O estudo das diferentes etapas tecnológicas
poder-nos-ia levar a compreender esses ciclos e essas gerações, no
âmbito de uma revolução permanente dos meios de produção, cujo
contexto tecnico-cultural seria, na realidade também por esse
motivo, uma história das tecnologias, no período de duração e de
vivência de uma unidade fabril. Todavia, esse estudo ultrapassa os
objectivos e a escala deste trabalho.

Sem querer ultrapassar esses limites, importa conhecer os principais
fornece dores da Fabrica do Paleão e compreender o estádio do seu
desenvolvimento. Um dos aspectos essenciais da tecnologia empregue
reconhecível através da documentação, e a dependência técnica
a Inglaterra, em especial a Manchester e sua região. Os empresários
da Fabrica de Fiação e Tecidos de Soure compraram a grande maioria
das suas maquinas a "Primeira Nação Industrial" da
Europa Diversos fornecedores podem ser detectados. Assim, os empresários
da primitiva Companhia Fabril e Industrial de Soure equiparam a Secção
de limpeza e abertura de algodão com maquinas da ASA LEES, datáveis
de 1890. Em 1937 altura do Inquérito da Comissão Reguladora do
Comercio do Algodão em Rama, as maquinas da ASA LEES estavam
instaladas tanto nesta secção como na Cardação, na preparação
da fiação, na fiação e na dobagem verificando-se uma utilização
preferencial nestes espaços fabris. Ainda então o equipamento da
cardação - com dezanove cardas - era dominado pela tecnologia do
fim de século que esta firma divulgara entre os industriais do
sector. Também os laminadores e os bancos de torce eram seus. No
campo da fiação a situação havia mudado, não tão radicalmente
como se esperaria, atendendo à inovação no sector. De facto, a
fabrica dispunha ainda de seis contínuos de fiar de 272 fusos cada,
alé, de duas "selfactinas" expressão aportuguesada das
fiações de carruagem, ditas self-action, as continuadoras
das mules jennies de Samuel Crompton. Também ainda laboravam
quatorze sarilhos para dobar, da mesma marca. Estas maquinas
provinham de Manchester, da firma SUMNER e da J HETHERINGTON.
No circulo da tecnologia inglesa, a secção de tecelagem dos
primeiros anos da Fábrica do Paleão foram dominados pela BAERLEIN
& Cª, datadas de 1890 ou, em geral, sem datação reconhecível.
Vimos atras o papel que os responsáveis da empresa desempenharam
desde o ano de 1888, não só no campo da montagem da fabrica, como
na instalação de maquinaria e das caldeiras das maquinas a vapor.
As caneleiras, as encarretadeiras, as urdideiras e 215 teares mecânicos
são provenientes desta casa metalúrgica de Manchester. Os teares são
de quatro tipos, a saber vinte e oito de 0,760 m, sessenta e dois de
0,860 m, cento e quatorze de 0,910 m e onze de 2,200 m, o que nos da
as larguras dos panos de algodão ali produzidos. A Baerlein
forneceu ainda um hidro-extractor para a tinturaria e uma maquina de
dobrar e medir para a secção dos acabamentos.

Entre os equipamentos das primeiras fases refiram-se os encomendados
a LORD BROTHERS, cujas datas de introdução em Paleão são por
enquanto desconhecidas. Uns anos depois, por influencia da Fabrica
de Fiação de Tomar, os equipamentos utilizados adquiriram-se a J
HETHERINGTON & SONS, Lte, havendo máquinas de 19l0 e do período
subsequente, datadas de 1922. Estas últimas provam que, no momento
de passagem para a tutela da Fabrica da Areosa, continuou-se a
solicitar os melhores equipamentos a tão credenciada firma. Os
teares e fiações eram provenientes de Manchester e produzidas,
como o seu nome indica, pela metalúrgica John Hetherington &
Sons que desde a década de 70 era a firma mais implantada no território
português e principal fornecedora da fabrica de Tomar. As
principais mudanças tecnológicas começaram a realizar-se nas décadas
de 20 e 30 tanto no equipamento geral da tecelagem, como na
diferenciação dos equipamentos mecânicos. De 1923 encontra-se
registado um continuo de fiar de 504 fusos. Uma engomadeira de teia
foi adquirida, por volta de 1929, à firma BUTTERWORTH & DICK.
Entre os equipamentos introduzidos na década de 30 refiram-se as
maquinas das firmas inglesa PLATT BROTHERS & Cª, de Oldham
(1934), e alemã DEUSTCH,S M (1934-35), ambas fornecendo diversos
tipos de contínuos. A empresa de Oldham também forneceu maquinas
de cardar. Uma destas cardas ainda se encontrava no antigo espaço
fabril em 1997.
Na secção de tecelagem são também enumerados teares mecânicos
da JOHN M. SUMNER & Cª, da HENRY LIVESEY LTD , da CURTIS, SONS
& Cª e da ATHERTON BROTHERS, correspondendo a diferentes
tamanhos dos pentes e larguras de panos a produzir.
Quanto
a tecnologia portuguesa a sua representatividade era escassa no
conjunto do equipamento mecânico, registando-se apenas dezoito
teares da COMPANHIA INDUSTRIAL DE FUNDIÇAO, datadas de 1935, para a
produção de panos com uma largura aproximada de 1,10 m. Eram ainda
portuguesas as barcas de tingir o fio (sete), as maquinas da
serralharia e, segundo se julga, a maquina de cochar os cabos da
cordoaria. Recorre-se também a Empresa Industrial Portuguesa, com
sede em Santo Amaro, em diversos momentos da história dos
equipamentos de Paleão. A resposta a Direcção Geral da Indústria
em 1940, por motivo da Estatística Industrial, permite-nos conhecer
com alguma plenitude o equipamento técnico da Fabrica de Paleão,
nas vésperas da sua passagem para a administração da Empresa
Fabril do Norte. Basicamente a situação era idêntica a de 1935,
no que se refere a origem das maquinas e suas características básicas.
Alias, nenhuma maquina e indicada como sendo adquirida nesse ano.
Todavia, o apetrechamento fabril encontra-se mencionado numa
perspectiva global, com referência à capacidade de produção em 8
horas de trabalho.
A
renovação técnica da fabrica, por ocasião da aquisição da
Empresa Fabril do Norte, implicara não só uma estrutura diferente
da organização fabril, tanto na fiação, como na tecelagem, com
novos tipos de maquinas e novas marcas. A Fiação, por exemplo, tem
reunideiras de fitas, intróitos, uns alimentados por mantas, outros
por fitas, outros ainda com 1ª 2ª e 3ª passagens, bancos,
laminadores, penteadeiras duplas, cardas e contínuos. A preferência
orientou-se para uma marca de maquinas que chegou a invadir o
mercado português – a RIETER.
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